𝘼 𝙂𝙧𝙖𝙣𝙙𝙚 𝙋𝙧𝙤𝙨𝙩𝙞𝙩𝙪𝙩𝙖

 


 𝘼 𝙂𝙧𝙖𝙣𝙙𝙚 𝙋𝙧𝙤𝙨𝙩𝙞𝙩𝙪𝙩𝙖

Os escândalos recentes — a exemplo do caso Master — não têm nada de inéditos. Essa simbiose grotesca de corrupção e narcoterrorismo não nasceu ontem; é um câncer com raízes bem fincadas no século passado. No topo dessa cadeia alimentar, o Judiciário — o verdadeiro poder que manda, desmanda e tripudia no país — atua como a cabeça pensante de uma engrenagem decrépita. Ele se engaja de corpo e alma com a classe putrefata do colarinho branco e com oligarquias familiares tão arcaicas, inúteis e parasitas quanto carrapatos empapuçados no couro de um vira-lata. Triste e pálida realidade.

Mas a história tem um senso de humor peculiar. Após esse assalto à luz do dia, quem hoje opera a lâmina da guilhotina amanhã descansará o pescoço sob ela. É a clássica ironia à la Robespierre: o tirano que mandou centenas ao cepo acabou degolado pela própria ferramenta que estimava.

No fim, nosso Supremo Tribunal e as demais cortes funcionam como a Grande Prostituta do Estado. A cegueira da Justiça já não vem de uma venda solene, mas do fetiche pelo poder: em vez da balança e da espada, a deusa togada veste lingerie de renda e empunha um chicote sadomasoquista, pronta para punir o cidadão enquanto atende aos caprichos de seus clientes habituais.

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