𝗔 𝗔𝗥𝗧𝗘 𝗗𝗘 𝗦𝗘𝗥 𝗠𝗔𝗦𝗦𝗔 𝗗𝗘 𝗠𝗔𝗡𝗢𝗕𝗥𝗔 𝗘 𝗔 𝗜𝗟𝗨𝗦𝗔̃𝗢 𝗗𝗔 𝗘𝗦𝗖𝗢𝗟𝗛𝗔




 O eleitor da direita chama o eleitor da esquerda de “burro”. Mas, convenhamos: se um é burro, o outro é o quê? Um jegue? Uma mula? Ou apenas um animal de outra espécie, igualmente convencido de que descobriu a verdade absoluta?


Afinal, trocar seis por meia dúzia continua sendo uma péssima operação matemática, mesmo quando se faz isso vestindo verde e amarelo ou vermelho e fazendo o L. 😂


O espetáculo é deprimente: cada lado acredita ser o dono da inteligência, da moralidade e da solução para o país, enquanto serve de massa de manobra para os mesmos interesses de sempre. Brigam entre si, destilam ódio nas redes sociais, defendem seus líderes como torcidas organizadas e, no fim, quem continua levando a melhor é justamente quem assiste à briga de camarote.


Muda-se a cor da bandeira, mas a estrutura permanece praticamente a mesma.


E o Brasil? Ah, o Brasil vai melhorar! Só falta combinar com a história, com a nossa dependência do capital estrangeiro, com a concentração de renda e com uma elite que, desde os tempos coloniais, aprendeu a transformar o Estado em extensão de seus próprios interesses.


Continuamos carregando heranças de uma sociedade escravocrata, com uma economia historicamente dependente de commodities e da exportação de produtos primários, enquanto boa parte da nossa elite política e econômica parece mais preocupada em preservar privilégios do que em construir um projeto consistente de nação.


Mas não se preocupem: a cada eleição, o povo ganha uma nova esperança, um novo salvador da pátria e uma nova oportunidade de odiar o vizinho por ter votado diferente.


E assim seguimos, discutindo quem é mais burro, enquanto os verdadeiros beneficiários do sistema agradecem a nossa colaboração. Afinal, lum povo dividido por suas paixões políticas dificilmente se une para questionar as estruturas que o mantêm dependente.


Como diria Raul Seixas, em Aluga-se: “A solução pro nosso povo eu vou dar”.


Só que, por aqui, parece que ainda preferimos discutir quem deve ser o próximo locatário do poder, sem jamais perguntar quem é o verdadeiro proprietário da casa.


E, para encerrar com o próprio Raulzito, em Aluga-se não, mas na provocação de "As Aventuras de Raul Seixas na Cidade de Thor", fica a reflexão:


“Pouca cultura pra cuspir na estrutura.”


No fim das contas, talvez o problema não seja quem é o burro, o jegue ou a mula.


Talvez seja acreditar que estamos escolhendo os rumos da viagem quando sequer percebemos quem está segurando as rédeas.

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